terça-feira, 28 de junho de 2016

«O ORIENTE E A AMÉRICA», por A. Lopes Mendes


«O ORIENTE E A AMÉRICA»
Apontamentos sobre os usos e costumes dos povos da Índia Portugueza comparados com os do Brazil
Memória apresentada à X Sessão do Congresso Internacional dos Orientalistas por A. Lopes Mendes, S.S.G.L.
Lisboa, Imprensa Nacional, 1892


GOA - CAPITAL DA ÍNDIA PORTUGUEZA
(...)É a terra indiana mais favorecida pelo Creador, que offerece paizagens mais encantadoras, e , na opinião de todos os viajantes, o mais esplendido e ameno país da costa do Malabar onde se encontra abundante, boa e barata alimentação; sendo os seus indígenas intelligentes e benevolos.


(...) Em conclusão diremos: - que, nos autochtones do Oriente e America, se observa a mesma feição ethnica e sociologica, a mesma simplicidade e bondade, o mesmo retrahimento para com os europeus de quem desconfiam pelos mau tratos que d'elles teem recebido, e, com pequenas differenças, os mesmos usos e costumes;
(...) -que à remota distancia da pralaya indiana, os indivíduos se confundem nas famílias, as tribos nas raças, as raças nas nações, e as nações no princípio da humanidade,  cuja origem sra para nós desconhecida, em quanto os homens de talento e os trabalhadores infatigaveis não chegarem a desvendar este segredo, que Deus não tem permittido até hoje descobrir;
-que, finalmente, Portugal pode gloriar-se de ter produzido dois grandes filhos: CAMÕES -auctor da nossa sublime epopeia inspirada no Oriente -e o BRAZIL, a mais vasta e encantadora região da America.

«A ÍNDIA PORTUGUEZA», A.Lopes Mendes



«A INDIA PORTUGUEZA»
Breve descripção das Possessões Portuguezas na Asia. 
Dividida em dois volumes. Illustrados com 382 gravuras e 7 mappas. 

Por A. Lopes Mendes, Agrónomo, sócio da Sociedade de Geographia de Lisboa, da Real Sociedade Asiática (secção de Bombay), da Sociedade Geographica Argentina, da Real Associção de agricultura portugueza, e antigo deputado da Nação pelo circulo de Mapuçá, Damão e Diu, etc. 
Publicada por ordem do Ministério da Marinha. 
[Edição da] Sociedade de Geographia de Lisboa. Imprensa Nacional. Lisboa. 1886.


Nota Prévia [Edição facsimilada da edição de 1896,Fundação Oriente-1992]
António Lopes Mendes (n.835-m.1894), coligiu durante cerca de uma década (1862-1873), no decurso da qual viveu e percorreu demoradamente o interior de Goa, em missão oficial, grande número de informações que veio a publicar na obra que ora se reedita.
A Índia Portugueza, dada à estampa pela primeira vez em 1886, é, desse modo, o resultado de um conjunto de impressões recolhidas por um observador atento e curioso, um livro de viagens, onde a par do colorido da vivência indiana, da sua cultura, do seu quotidiano, da sua religião, da sua história, se encontra a preocupação com o rigor do dado estatístico, da informação botânica ou zoológica, da localização geográfica, etc., fruto da formação científica do autor. A par disso, as suas extraordinárias qualidades de desenhador permitem que a sua narrativa seja visualmente testemunhada, o que acrescenta a esta obra um importante valor documental.



ANTÓNIO LOPES MENDES
Natural de Traz-os-Montes, nasceu em 1834. Cursou os preparatórios no liceu de Vila Real, seguiu outros estudos superiores na Escola Politécnica do Porto, e depois veio matricular-se em Lisboa no Instituto Agrícola, onde obteve o diploma de médico-veterinário-lavrador.

Em 1862 assinou contrato no Conselho Ultramarino, para exercer as funções de veterinário-lavrador no Estado da Índia, para onde partiu a 11 de Agosto, e aportou a Goa em 1 de Outubro do mesmo ano. Em Janeiro 1863 foi nomeado para a comissão incumbida do estudo das florestas nacionais da Índia Portuguesa e redigir o regulamento florestal em harmonia com as necessidades do país. Em Fevereiro 1865 foi nomeado vogal da comissão encarregada de coligir e coordenar os produtos agrícolas e industriais para serem enviados á exposição internacional de Paris; em Março 1865 foi nomeado vogal da comissão encarregada da demarcação dos terrenos de Satary. Além das comissões mencionadas Lopes Mendes desempenhou outras por encargo das autoridades civis e judiciais. Foi procurador á Junta Geral do Districto pela 4.ª divisão das Novas Conquistas, exercendo as funções no respectivo biénio, eleito presidente do município na capital do estado, vogal substituto do Conselho do Governo, etc.
Era sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa e de outras sociedades. Faleceu a 31 de Janeiro 1894.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

ÓSCAR PINTO LOBO ( 1913 - 1995)



OSKAR, o "Príncipe Perfeito"
  
   Fernando Óscar Pinto Lobo (Oskar), nascido em 1913, descendente de uma família de Goa, e de avô inglês.
   Licenciou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde estudou pintura.
   António Ferro foi afastado do Secretariado Nacional da Informação em 1949. Foi o princípio do fim da sua Política do Espírito e da tutela sobre uma fatia considerável das artes gráficas portuguesas.
    Eixo programático do SNI e do Estado Novo, o turismo elitista, assente na pureza do ar e dos costumes regionais, cedeu o passo ao turismo de massas, à iniciativa privada e a práticas de marketing mais agressivas e abrangentes. As praias e o clima tornaram-se a locomotiva desta estratégia e o Sol, entidade intangível e felizmente fora do alcance de mãos humanas, tinha bastante potencial iconográfico.
  
Portugal País de Turismo, Anuário, 1961-1962
Foi um arquitecto, Óscar Pinto Lobo (Oskar) quem desempenhou a tarefa, ilustrando pictóricos e calorosos discos solares nas inúmeras publicações que ao longo das décadas de 50 e 60 venderam os estatísticos 250 dias de sol por ano a estrangeiros ávidos de luz e calor. Foi diretor gráfico do SNI, e consultor técnico da Junta de Turismo da Costa do Sol. Ao serviço de instituições oficiais e privadas ligadas ao Turismo, desenvolveu muita da sua actividade como designer e ilustrador, com presença assinalável nas publicações da Junta e nos anuários Portugal País de Turismo onde dividiu a colaboração artística com Manoel Lapa.
   

 Nos anos 40, Óscar Pinto Lobo, arquitecto, pintor, é o decorador da casa Olaio. A marca aposta em força no mobiliário de estilo americano, em madeira de carvalho.
Toucador(Olaio), Óscar Pinto Lobo
    










De 1932 a 1943, Oskar teve papel relevante em jornais humorísticos e revistas infantis. Para além de ter colaborado na revista Ilustração, publicou histórias aos quadradinhos na revista ABC-Zinho, nomeadamente com os personagens Tom Migas e o seu cavalo Cara Linda, e as adaptações de Bucha e Estica.

Laurel & Hardy

 







Foi ainda colaborador no Sempre Fixe (1932), em O Senhor Doutor (1934), no Rim-Tim-Tim (1939) e O Faísca (1943). Depois dessa data deixou de desenhar histórias aos quadradinhos, mas ficaram célebres as aventuras da personagem a que acima nos referimos, bem como aquelas em que parodiava estrelas de cinema.
Ana Salazar, 2012
   Pai da estilista Ana Salazar, tinha com a sua mulher Ema sempre a casa cheia de amigos. Na casa da Praia da Vitória, junto ao Monumental, havia festas, serões, tertúlias enfim, por onde passavam o João Villaret, António Ferro, Fernanda de Castro, ou Almada Negreiros de quem o seu pai era muito amigo. Ana reconhece-se permanentemente no pai – um homem de figura irrepreensível, sempre muito bem vestido, e a quem no Liceu Camões chamavam o “príncipe perfeito”. Da família dele, só conheceu a avó e as duas tias, Olga e Lia (Amélia, que «chegou a andar no liceu»).
    O seu nome inclui-se entre os designers e artistas que muito concorreram para uma imagem moderna do País e da TAP, como Sebastião Rodrigues, Keil do Amaral, Eduardo Anahory, Louis Féraud, Ana Maravilhas, Sérgio Sampaio, Leonildo Dias, João Velez, Carlos Rafael, Manuel Rodrigues e José Soares.
   Integrou o grupo de sócios fundadores, juntamente com o escultor Martins Correia, pintores João Barão, Manuela Pinheiro, Eduardo Alarcão, Silvana, Claudine Thireau, Conceição Bartolomeu, Helena Justino, o jornalista Rodrigues Vaz, a escultora Dorita Castelbranco, os pintores Amcoc, Mário Silva e Michel Horta e Costa, da Tertúlia Literária e Artística PARLATÓRIO, criada em 18 de Outubro de 1989, cujo objectivo principal era o da divulgação cultural e artística. A primeira reunião que definiu os seus objectivos, teve lugar na Restaurante Parlatório.
    Faleceu em Lisboa em 1995.

Fontes:










 

JFSR 2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

MÁRIO TAVARES CHICÓ: GOÊS POR ADOPÇÃO…



   MÁRIO TAVARES CHICÓ: GOÊS POR ADOPÇÃO…

   A 18 de Maio de 1905 nasceu, em Beja, Mário de Sousa Tavares, um dos quatro filhos de Manuel Jacinto de Sousa Tavares e Júlia Luísa da Silva. Esta última, fora adoptada ainda menina pelo Eng. Manuel Rodrigues Chicó, natural de Goa, agrónomo das propriedades da Casa de Cadaval, e por sua esposa, D. Rufina da Conceição Guimarães, natural de Évora. O casal Chicó tomou também conta de Mário desde pequeno e este, ao atingir a maioridade, adoptará o seu apelido, assumindo o nome de Mário Tavares Chicó.
   O desconhecimento de tal facto tem levado a que venha a ser-lhe atribuída origem Indo-Portuguesa paterna e materna, e afirmar-se que a sua mãe era Goesa católica*.
   Frequentou os liceus de Beja e Évora, a Escola Agrícola de Coimbra, a Faculdade de Direito e, a Faculdade de Letras de Lisboa, licenciando-se em Ciências Históricas e Filosóficas em1935.
   Em Fevereiro de 1935, publicou numa separata da “Medicina – Revista de Ciências Médicas e Humanismo” um trabalho sobre a catedral de Évora no qual evidenciou o papel da documentação fotográfica no estudo do património.
   Entre 1937 e 1939, com uma bolsa do Instituto de Alta Cultura, frequentou o Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Paris, e o curso de Arqueologia Medieval na École de Chartres.
   Viajou pela Europa, visitando e estudando a organização de museus e aprofundando o conhecimento do património arquitectónico em diversos países. Ao longo dos seus estudos, foi desenvolvendo o seu método de abordagem da História da Arte através da estética.
   De volta a Portugal, elaborou em 1941 o projecto de adaptação do Palácio da Mitra a Museu da Cidade de Lisboa e a respectiva organização e selecção das colecções a expor. Tomou parte no IV Congresso da Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências, realizado no Porto em 1942.
   Nesse mesmo ano de 1942, casou com Maria Alice Lami (1913-2002), Licenciada em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa.
Alice e Mário Chicó
  
  O ano de 1951 marcou uma viragem da maior importância na vida e nos interesses de Mário Tavares Chicó. Medievalista já com a sua reputação firmada, formado nas melhores escolas e com uma larga visão da arte europeia, Mário Chicó conseguiu nesse ano levar avante um projecto que acalentava há muito — o reconhecimento da arte cristã na Índia, a análise dos seus edifícios e dos seus problemas.
   Aprovado superiormente e com o patrocínio e auxílio dos Ministérios da Educação Nacional, Ultramar e Obras Públicas, o projecto de Mário Chicó concretizou-se em 1951, ano em que chefiou uma missão de reconhecimento e estudo a Goa, Damão e Diu.
   O objectivo era iniciar o estudo pormenorizado da arquitectura cristã e as suas relações com a arte local. Tal iniciativa implicava a recolha de uma abundante documentação fotográfica, quer dos edifícios religiosos, militares e civis erguidos na Índia pelos portugueses, quer dos outros que continuaram tradições locais e cujo número incluía, portanto, os tempos indus e as mesquitas muçulmanas.
   No caso da Índia, Mário Chicó não só estabeleceu imediatamente a relacionação com os edifícios da metrópole, como chamou a atenção para a influência da arquitectura ocidental nos templos indus de Goa. A arquitectura cristã na Índia foi, na verdade, uma revelação que lhe ficamos devendo. Ninguém se debruçara sobre o assunto até então.
    Faleceu em Lisboa, a 11 de Agosto de 1966.
   O acervo documental de Mário Tavares Chicó e Maria Alice Lami Chicó (1913-2002), conservado por seus filhos Henrique e Sílvia Chicó, encontra-se depositado na Fundação Mário Soares.
  

Fontes:
Azevedo, Carlos de: Mário Chico e a Índia www.fmsoares.pt/aeb/dossiers/dossier06/textos/CAzevedo.pdf
Casa Comum desenvolvido pela Fundação Mário Soares, Arquivos<Mário e Alice Chicó: http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_760

sexta-feira, 6 de maio de 2016

PAULO VI: O PAPA QUE ENFRENTOU SALAZAR



    VISITA DO PAPA PAULO VI À ÍNDIA

   Quando Giovani Montini, Cardeal Arcebispo de Milão, a 21 de Junho de 1963, foi eleito Papa, sucedendo a João XXIII, Franco Nogueira ao tempo Ministro dos Negócios Estrangeiros, num comentário à escolha de Paulo VI, observou que se tratava de uma vitória da “ala esquerda da Igreja”. De acordo com o Ministro, Salazar fez o seguinte desabafo: “Vamos ter tempos difíceis com a Igreja”.
PARIS MATCH n.º818/12 Décembre 1964
   Ainda nesse ano de 1963, foi conhecido o propósito do novo Pontífice participar no Congresso Eucarístico Mundial, em Bombaim. A possibilidade de o Papa ir à Índia – que dois anos antes anexara militarmente os territórios ultramarinos portugueses de Goa, Damião e Diu – foi vista por Salazar como “inconcebível”.
   Salazar ficou deveras irritado com a possibilidade de Paulo VI, em 1964, visitar a antiga Província Ultramarina Portuguesa, tudo fazendo no campo diplomático para impedir a realização da viagem anunciada. Na sua perspectiva, esta viagem seria uma legitimação que o Vaticano concedia à União Indiana, e com reflexos a nível internacional, e que Portugal não podia, de forma alguma, aceitar. A visita, no entender de Salazar, podia significar o apoio, pela Santa Sé, da anexação de Goa pela União Indiana.
   Quando Salazar soube da intenção de Paulo VI visitar Goa e orar no túmulo de São Francisco Xavier, sentiu uma profunda raiva interior, misturada com um forte sentimento de indignação. Ficou, como escreveu Franco Nogueira, “possesso de revolta”.
   Através do Cardeal Cerejeira, avisou que, se o Papa realizasse a viagem à Índia e, sobretudo, visitasse Goa, a Concordata – assinada entre Portugal e a Santa Sé, em 1940 – seria denunciada e a política religiosa de Portugal “radicalmente” alterada. Salazar ameaçou, ainda, cortar relações oficiais entre o nosso País e a Santa Sé.
   O Cardeal Cerejeira, extremamente preocupado e “aterrado” com a situação, encontrou-se por duas vezes com o Pontífice nesse ano de 1964. O último encontro seria a 13 de Outubro de 1964. E como parecia que estes encontros não surtiam o efeito desejado, inclusivamente no último o Papa não permitiu que se aflorasse o assunto, o Cardeal e a diplomacia nacional conseguiram contactar com diversas personalidades com vista a demover o Papa da sua visita a Goa.
Par un geste, le salut indien, il conquit le coeur de la foule
   Paulo VI fez a viagem, é certo. Mas ficou-se por Bombaim e não foi a Goa, como pretendia.
   A ida a Bombaim, realizada em Dezembro de 1964, constituiu um forte ponto de fricção entre o Estado Novo de Salazar e a Igreja Católica de Paulo VI.
   Salazar, criticou e condenou, de forma clara e inequívoca, a visita de Paulo VI. Mais: sentiu a atitude do Papa como um insulto a Portugal e aos milhões de católicos nacionais.
   Salazar classificou a visita de “agravo gratuito, no duplo sentido de que é inútil e de que é injusto, praticado pelo chefe do Catolicismo em relação a uma Nação católica”. Além de a ter considerado como uma “injúria feita a Portugal”.
   Paulo VI foi o primeiro papa a visitar os cinco continentes, e, até ao papa João Paulo II, o mais viajado, pelo que foi chamado o Papa Peregrino.

Fontes:



quinta-feira, 21 de abril de 2016

General Francisco Augusto Martins de Carvalho



General Francisco Augusto Martins de Carvalho

  "No dia 27 de Setembro de 1841, nasceu em Coimbra Francisco Augusto Martins de Carvalho, filho do íntegro jornalista Joaquim Martins de Carvalho, intimerato autor dos Assassinos da Beira.
  (…) Joaquim Martins de Carvalho havia de ser mais tarde preso por patuleia e conduzido juntamente com Agostinho de Morais Pinto de Almeida e outros ao Limoeiro de Lisboa, onde permaneceu de Fevereiro a Julho de 1847, sem meios para se sustentar a si próprio e muito menos para valer à esposa e ao filho, que assim teve de deixar ao desamparo.
   A Francisco Augusto Martins de Carvalho e a sua mãe valeu o parente Venceslau Martins de Carvalho, que os recebeu na sua casa de Atadôa, do concelho de Condeixa, suprindo na possível medida a ausência do chefe da família, injusta e violentamente encarcerado.
   (…) Vencidos os primeiros passos da instrução oficial, cedo e decidiu Francisco Augusto Martins de Carvalho a abraçar a carreira das armas (…).
   (…) elevado ao posto de tenente coronel, é por decreto de 5 de Abril de 1894 enviado a Moçambique, a inspeccionar extraordinariamente os corpos da guarnição dessa colónia, donde regressou no ano seguinte(…); em 11 de Outubro de 1895 é colocado fora do quadro para ir em comissão organizar e comandar as forças da guarnição do Estado da Índia (…).
   «Partindo para essa colónia – lê-se no Álbum de Contemporâneos Ilustres, fascículo n.º 44, relativamente à comissão exercida na Índia – e chegado ali, não pode proceder logo à organização de que fora incumbido e que, segundo o plano de Ferreira e Almeida, era a constituição de quatro companhias de guerra. Esse plano não foi posto em execução, e Francisco Augusto Martins de Carvalho foi nomeado, em Novembro de 1895, comandante do batalhão de infantaria do Estado da Índia e Reitor interino do Liceu Nacional de Nova Goa. Em 23 de Dezembro do mesmo ano foi nomeado comandante da província de Satary e de todo o território que constitui o concelho de Sanquelim, competindo-lhe também o cargo de administrador rural e o desempenho de funções administrativas. No dia 28 de Fevereiro seguinte era exonerado do honroso cargo de reitor do Liceu Nacional de Nova Goa e recebia a nomeação de  vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar.»
   No entretanto, desenvolvera-se contra Martins de Carvalho uma intriga que o desgostou ao ponto de pedir a exoneração dos cargos de administrador do concelho de Sanquelim e de comandante militar de Satary, comissão – no dizer da portaria de 25 de Maio de 1896 - « que circunstâncias extraordinárias tornaram de excepcional importância e das quais se desempenhou com muito zelo, inteligência e dedicação».
  
(…) Regressado à metrópole, foi promovido a coronel, prestando serviço  em várias unidades, acabando por chefiar o distrito de reserva n.º 23 em Coimbra, abandonando esse lugar por desentendimentos com o ministro da guerra, e reformando-se no posto de general de brigada em 6 de Novembro de 1902.
   Da distinção com que Martins de Carvalho se desempenhou dos cargos em que por promoção ou em missão de confiança se encontrou investido, ficou registo nos louvores que muitas vezes lhe foram publicamente feitos, e nas medalhas com que foi condecorado, desde a de comportamento militar até à Torre e Espada, ganha por serviços prestados na Índia.
   (…) Da propensão para as letras – que se apresenta como a faceta dominante de um espírito insaciável de cultura e infatigável na ilustração do seu semelhante nos falam (…) um conjunto de publicações de carácter didáctico, de entre as quais Noções elementares de tiro (sem nome do autor), Nova Goa, 1894.
   (…) Não satisfeito de desempenhar-se com galhardia da tarefa que tomara sobre os seus ombros por falecimento de seu pai (18 de Outubro de 1898), da direcção de O Conimbricense (…) o General Martins de Carvalho, continuando com fervor nos seus estudos de história geral, de historiografia local e de bibliografia (…) foi publicando:
em 1910, «Guerra Peninsular», notas, episódios e extractos curiosos; no mesmo ano, Algumas horas na minha livraria; em 1914, em folhetins da Gazeta de Coimbra, as Portas e Arcos de Coimbra (…); em 1919, a Ermida e igreja do Corpo de Deus em Coimbra; e em 1921, As edições do Hissope, apontamentos bibliográficos.
   Quási ao tombar do ano de 1921, no dia 25 de Dezembro, apagou-se a chama já vacilante que animava aqueles 77 anos laboriosamente vividos (…).
   Postumamente saíram em folhetins, na Gazeta de Coimbra, Fontes e Chafarizes de Coimbra (…); e ficaram em adiantado estado de preparação Batalhões académicos da Universidade de Coimbra, Subsídios para a história da imprensa e do jornalismo de Coimbra e a segunda edição, em nove volumes, do Dicionário bibliográfico militar português, trabalhos ainda inéditos.(...)"
 Do Prefácio, de José Pinto Loureiro

Bibliografia:
«Portas e Arcos de Coimbra», General F. A. Martins de Carvalho 
Edição da Biblioteca Municipal, Coimbra, 1942

JFSR 2016

domingo, 17 de abril de 2016

CÓDIGO DE MANU OU LEIS DE MANU



 Código de Manu
   
  O Código de Manu situa-se, aproximadamente, no ano 1000 A. C. Manu foi um personagem mítico, considerado “Filho de Brahma e Pai dos Homens”.
Os hindus possuíam quatro livros sagrados, os chamados Livros Sagrados dos Vedas: o  Mahabharata, o Ramayana, os Puranas e as Leis Escritas de Manu.

LEIS DE MANU*
 O Código de Manu era o mais antigo, dividindo-se em Religião, Moral e Leis Civis. Escrito em sânscrito, é tido como a legislação mais antiga da Índia, e estabelece o sistema de castas na sociedade Hindu.
  Historicamente, as leis de Manu são tidas como a primeira organização geral da sociedade sob a forte motivação religiosa e política.  
  Redigido entre os séculos II a.C. e II d.C. em forma poética e imaginosa, as regras no Código de Manu são expostas em versos. Cada regra consta de dois versos cuja métrica, segundo os indianos, teria sido inventada por um santo eremita chamado Valmiki, em torno do ano 1500 a.C.
  Os idealizadores do Código de Manu julgavam que a coação e o castigo eram essenciais para se evitar o caos produzido na sociedade, advindo da decadência moral humana. Neste código há uma série de ideias sobre valores, tais como: Verdade, Justiça e Respeito.
  Havia nele uma estreita correlação entre o direito e os dispositivos sacerdotais, os problemas de culto e as conveniências de castas, debaixo do manto religioso e político, embora privilegiassem as castas superiores, sobretudo a dos brâmanes. 

A Penalidade na Índia**





   
 Aquele, que pertencesse à classe média ou inferior, era nele duramente penalizado. À casta dos brâmanes, que era formada pelos sacerdotes, foi dado o comando social. Os dados processuais que versam sobre a credibilidade dos testemunhos atribuem validade diferente à palavra dos homens, conforme às castas que pertencem.
  A mulher encontrava-se em extrema desvantagem, numa condição de completa passividade e submissão dentro de tal Código, sendo tratada como objecto a ser manobrado e julgado pelo homem.





FONTES:
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu
http://virusdaarte.net/india-o-codigo-de-manu/


Manou tient le premier range parmi les legislateurs, parce qu'il à exprimé dans son code le sens entier du Véda: aucun code n'est appruvé lorsqu'il contredit le sens d'une loi promulguée par Manou.
Vrihaspati (Legislador Hindú)





*LEIS DE MANÚ,Primeiro Legislador da índia
Compreendendo o Offício dos Juízes:Deveres da Classe Commerciante e servil:Leis Civis e Criminaes; vertidas em Português do original francês = Les Livres Sacrés de LÓrient = de Mr.G.Pauthier: Por José de Vasconcellos Guedes de Carvalho(1), Bacharel Formado em Direito pe Universidade de Coimbra; Cavaleiro da Ordem de Christo; Juiz Relator do Supremo Conselho de Justiça Militar; e Juiz da Relação de Goa, do Estado da índia.
Nova-Goa, 1859, na Imprensa Nacional 
  
"Manou tient le premier range parmi les legislateurs, parce qu'il à exprimé dans son code le sens entier du Véda: aucun code n'est appruvé lorsqu'il contredit le sens d'une loi promulguée par Manou."

Vrihaspati (Legislador Hindú) 

(1) 1.º Visconde de Riba Tâmega, Amarante, Real, Casa do Carvalho, 03.9.1822, f. Lisboa, 07.01.1892

**A PENALIDADE NA ÍNDIA SEGUNDO O CÓDIGO DE MANU, Memória apresentada à 10.ª Sessão do Congresso Interncional dos Orientalistas por Cândido de Figueiredo,S.S.G.L.
Sociedade e Geografia de Lisboa, Imprensa Nacional. Lisboa, 1892

As obras digitalizadas pertencem à biblioteca particular do Autor. Na reprodução das imagens deverá ser referida a sua origem.
                                
                                
JFSR 2016