terça-feira, 28 de junho de 2016
«O ORIENTE E A AMÉRICA», por A. Lopes Mendes
«O ORIENTE E A AMÉRICA»
Apontamentos sobre os usos e costumes dos povos da Índia Portugueza comparados com os do Brazil
Memória apresentada à X Sessão do Congresso Internacional dos Orientalistas por A. Lopes Mendes, S.S.G.L.
Lisboa, Imprensa Nacional, 1892
GOA - CAPITAL DA ÍNDIA PORTUGUEZA
(...)É a terra indiana mais favorecida pelo Creador, que offerece paizagens mais encantadoras, e , na opinião de todos os viajantes, o mais esplendido e ameno país da costa do Malabar onde se encontra abundante, boa e barata alimentação; sendo os seus indígenas intelligentes e benevolos.
(...) Em conclusão diremos: - que, nos autochtones do Oriente e America, se observa a mesma feição ethnica e sociologica, a mesma simplicidade e bondade, o mesmo retrahimento para com os europeus de quem desconfiam pelos mau tratos que d'elles teem recebido, e, com pequenas differenças, os mesmos usos e costumes;
(...) -que à remota distancia da pralaya indiana, os indivíduos se confundem nas famílias, as tribos nas raças, as raças nas nações, e as nações no princípio da humanidade, cuja origem sra para nós desconhecida, em quanto os homens de talento e os trabalhadores infatigaveis não chegarem a desvendar este segredo, que Deus não tem permittido até hoje descobrir;
-que, finalmente, Portugal pode gloriar-se de ter produzido dois grandes filhos: CAMÕES -auctor da nossa sublime epopeia inspirada no Oriente -e o BRAZIL, a mais vasta e encantadora região da America.
«A ÍNDIA PORTUGUEZA», A.Lopes Mendes
«A INDIA PORTUGUEZA»
Breve descripção
das Possessões Portuguezas na Asia.
Dividida em dois volumes. Illustrados com
382 gravuras e 7 mappas.
Por A. Lopes Mendes, Agrónomo, sócio da Sociedade de Geographia de
Lisboa, da Real Sociedade Asiática (secção de Bombay), da Sociedade Geographica
Argentina, da Real Associção de agricultura portugueza, e antigo deputado da Nação pelo circulo de Mapuçá, Damão e Diu, etc.
Publicada por ordem do
Ministério da Marinha.
[Edição da] Sociedade de Geographia de Lisboa. Imprensa
Nacional. Lisboa. 1886.
Nota Prévia [Edição facsimilada da edição de 1896,Fundação Oriente-1992]
António Lopes Mendes (n.835-m.1894), coligiu durante cerca de uma década (1862-1873), no decurso da qual viveu e percorreu demoradamente o interior de Goa, em missão oficial, grande número de informações que veio a publicar na obra que ora se reedita.
A Índia Portugueza, dada à estampa pela primeira vez em 1886, é, desse modo, o resultado de um conjunto de impressões recolhidas por um observador atento e curioso, um livro de viagens, onde a par do colorido da vivência indiana, da sua cultura, do seu quotidiano, da sua religião, da sua história, se encontra a preocupação com o rigor do dado estatístico, da informação botânica ou zoológica, da localização geográfica, etc., fruto da formação científica do autor. A par disso, as suas extraordinárias qualidades de desenhador permitem que a sua narrativa seja visualmente testemunhada, o que acrescenta a esta obra um importante valor documental.
ANTÓNIO LOPES
MENDES
Natural de Traz-os-Montes, nasceu em 1834. Cursou os preparatórios no
liceu de Vila Real, seguiu outros estudos superiores na Escola Politécnica do
Porto, e depois veio matricular-se em Lisboa no Instituto Agrícola, onde obteve
o diploma de médico-veterinário-lavrador.
Era sócio da
Sociedade de Geografia de Lisboa e de outras sociedades. Faleceu a 31 de Janeiro 1894.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
ÓSCAR PINTO LOBO ( 1913 - 1995)
OSKAR, o "Príncipe Perfeito"
Fernando Óscar
Pinto Lobo (Oskar), nascido em 1913, descendente de uma família de
Goa, e de avô inglês.
Licenciou-se em Arquitectura na Escola
Superior de Belas Artes de Lisboa, onde estudou pintura.
António Ferro foi afastado do Secretariado
Nacional da Informação em 1949. Foi o princípio do fim da sua Política do Espírito e da tutela sobre
uma fatia considerável das artes gráficas portuguesas.
Eixo programático do SNI e do
Estado Novo, o turismo elitista, assente na pureza do ar e dos costumes
regionais, cedeu o passo ao turismo de massas, à iniciativa privada e a
práticas de marketing mais agressivas e abrangentes. As praias e o clima
tornaram-se a locomotiva desta estratégia e o Sol, entidade intangível e
felizmente fora do alcance de mãos humanas, tinha bastante potencial
iconográfico.
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| Portugal País de Turismo, Anuário, 1961-1962 |
Nos anos 40, Óscar
Pinto Lobo, arquitecto, pintor, é o decorador da casa Olaio. A marca aposta em
força no mobiliário de estilo americano, em madeira de carvalho.
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| Toucador(Olaio), Óscar Pinto Lobo |
De 1932 a 1943, Oskar teve
papel relevante em jornais humorísticos e revistas infantis. Para além de ter
colaborado na revista Ilustração, publicou histórias aos quadradinhos na
revista ABC-Zinho, nomeadamente com os personagens Tom Migas e o seu
cavalo Cara Linda, e as adaptações de Bucha e Estica.
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Laurel & Hardy |
Foi ainda
colaborador no Sempre Fixe (1932), em O Senhor Doutor
(1934), no Rim-Tim-Tim (1939) e O Faísca (1943). Depois dessa
data deixou de desenhar histórias aos quadradinhos, mas ficaram célebres as
aventuras da personagem a que acima nos referimos, bem como aquelas em que
parodiava estrelas de cinema.
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| Ana Salazar, 2012 |
Pai da estilista Ana Salazar, tinha com a sua mulher
Ema sempre a casa cheia de amigos. Na casa da Praia da Vitória, junto
ao Monumental, havia festas, serões, tertúlias enfim, por onde passavam o João
Villaret, António Ferro, Fernanda de Castro, ou Almada Negreiros de quem o seu
pai era muito amigo. Ana reconhece-se permanentemente no pai – um homem de
figura irrepreensível, sempre muito bem vestido, e a quem no Liceu Camões
chamavam o “príncipe perfeito”. Da família dele, só conheceu a avó e as duas
tias, Olga e Lia (Amélia, que «chegou a andar no liceu»).
O seu nome inclui-se entre os designers e artistas
que muito concorreram para uma imagem moderna do País e da TAP, como Sebastião
Rodrigues, Keil do Amaral, Eduardo Anahory, Louis Féraud, Ana Maravilhas, Sérgio
Sampaio, Leonildo Dias, João Velez, Carlos Rafael, Manuel Rodrigues e José
Soares.
Integrou o grupo
de sócios fundadores, juntamente com o escultor Martins Correia, pintores
João Barão, Manuela Pinheiro, Eduardo Alarcão, Silvana, Claudine Thireau,
Conceição Bartolomeu, Helena Justino, o jornalista Rodrigues Vaz, a escultora
Dorita Castelbranco, os pintores Amcoc, Mário Silva e Michel Horta e Costa, da
Tertúlia Literária e Artística PARLATÓRIO, criada em 18 de Outubro de 1989,
cujo objectivo principal era o da divulgação cultural e artística. A primeira
reunião que definiu os seus objectivos, teve lugar na Restaurante Parlatório.
Faleceu em Lisboa em 1995.
Fontes:
JFSR 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
MÁRIO TAVARES CHICÓ: GOÊS POR ADOPÇÃO…
MÁRIO TAVARES CHICÓ: GOÊS POR ADOPÇÃO…
A 18 de Maio de 1905 nasceu, em Beja, Mário de Sousa
Tavares, um dos quatro filhos de Manuel Jacinto de Sousa Tavares e Júlia Luísa
da Silva. Esta última, fora adoptada ainda menina pelo Eng. Manuel Rodrigues
Chicó, natural de Goa, agrónomo das propriedades da Casa de Cadaval, e por sua esposa,
D. Rufina da Conceição Guimarães, natural de Évora. O casal Chicó tomou também
conta de Mário desde pequeno e este, ao atingir a maioridade, adoptará o seu
apelido, assumindo o nome de Mário Tavares Chicó.
O desconhecimento
de tal facto tem levado a que venha a ser-lhe atribuída origem Indo-Portuguesa paterna e materna, e afirmar-se que a sua mãe era Goesa católica*.
Frequentou os liceus de Beja e Évora, a
Escola Agrícola de Coimbra, a Faculdade de Direito e, a Faculdade de Letras de
Lisboa, licenciando-se em Ciências Históricas e Filosóficas em1935.
Em Fevereiro de 1935, publicou numa separata
da “Medicina – Revista de Ciências Médicas e Humanismo” um trabalho sobre a
catedral de Évora no qual evidenciou o papel da documentação fotográfica no
estudo do património.
Entre 1937 e 1939, com uma bolsa do
Instituto de Alta Cultura, frequentou o Instituto de Arte e Arqueologia da
Universidade de Paris, e o curso de Arqueologia Medieval na
École de Chartres.
Viajou pela Europa, visitando e estudando a
organização de museus e aprofundando o conhecimento do património
arquitectónico em diversos países. Ao longo dos seus estudos, foi desenvolvendo
o seu método de abordagem da História da Arte através da estética.
De volta a Portugal, elaborou em 1941 o projecto de adaptação do Palácio da Mitra a Museu da Cidade de Lisboa e a respectiva organização e selecção das colecções a expor. Tomou parte no IV Congresso da Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências, realizado no Porto em 1942.
De volta a Portugal, elaborou em 1941 o projecto de adaptação do Palácio da Mitra a Museu da Cidade de Lisboa e a respectiva organização e selecção das colecções a expor. Tomou parte no IV Congresso da Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências, realizado no Porto em 1942.
Nesse mesmo ano de 1942, casou com Maria Alice Lami (1913-2002),
Licenciada em Ciências
Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa.
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| Alice e Mário Chicó |
O ano de 1951 marcou uma viragem da
maior importância na vida e nos interesses de Mário Tavares Chicó. Medievalista
já com a sua reputação firmada, formado nas melhores escolas e com uma larga
visão da arte europeia, Mário Chicó conseguiu nesse ano levar avante um
projecto que acalentava há muito — o reconhecimento da arte cristã na Índia, a
análise dos seus edifícios e dos seus problemas.
Aprovado superiormente e com o patrocínio e
auxílio dos Ministérios da Educação Nacional, Ultramar e Obras Públicas, o
projecto de Mário Chicó concretizou-se em 1951, ano em que chefiou uma missão
de reconhecimento e estudo a Goa, Damão e Diu.
O objectivo era iniciar o estudo
pormenorizado da arquitectura cristã e as suas relações com a arte local. Tal iniciativa
implicava a recolha de uma abundante documentação fotográfica, quer dos
edifícios religiosos, militares e civis erguidos na Índia pelos portugueses,
quer dos outros que continuaram tradições locais e cujo número incluía,
portanto, os tempos indus e as mesquitas muçulmanas.
No caso da Índia, Mário Chicó não só estabeleceu
imediatamente a relacionação com os edifícios da metrópole, como chamou a
atenção para a influência da arquitectura ocidental nos templos indus de Goa. A arquitectura cristã na Índia foi,
na verdade, uma revelação que lhe ficamos devendo. Ninguém se debruçara sobre o
assunto até então.
Faleceu em Lisboa, a 11 de Agosto de 1966.
Faleceu em Lisboa, a 11 de Agosto de 1966.
O acervo documental de Mário Tavares Chicó e Maria Alice Lami Chicó (1913-2002),
conservado por seus filhos Henrique e Sílvia Chicó, encontra-se depositado na
Fundação Mário Soares.
Fontes:
Azevedo, Carlos de: Mário Chico e a
Índia www.fmsoares.pt/aeb/dossiers/dossier06/textos/CAzevedo.pdf
Casa Comum desenvolvido pela Fundação
Mário Soares, Arquivos<Mário e Alice Chicó:
http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_760
sexta-feira, 6 de maio de 2016
PAULO VI: O PAPA QUE ENFRENTOU SALAZAR
VISITA DO PAPA PAULO VI À ÍNDIA
Quando Giovani
Montini, Cardeal Arcebispo de Milão, a 21 de Junho de 1963, foi eleito Papa,
sucedendo a João XXIII, Franco Nogueira ao tempo Ministro dos Negócios
Estrangeiros, num comentário à escolha de Paulo VI, observou que se tratava de uma
vitória da “ala esquerda da Igreja”. De
acordo com o Ministro, Salazar fez o seguinte desabafo: “Vamos ter tempos difíceis com a Igreja”.
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| PARIS MATCH n.º818/12 Décembre 1964 |
Ainda nesse ano
de 1963, foi conhecido o propósito do novo Pontífice participar no Congresso
Eucarístico Mundial, em
Bombaim. A possibilidade de o Papa ir à Índia – que dois anos
antes anexara militarmente os territórios ultramarinos portugueses de Goa,
Damião e Diu – foi vista por Salazar como “inconcebível”.
Salazar ficou
deveras irritado com a possibilidade de Paulo VI, em 1964, visitar a antiga
Província Ultramarina Portuguesa, tudo fazendo no campo diplomático para
impedir a realização da viagem anunciada. Na sua perspectiva, esta viagem seria
uma legitimação que o Vaticano concedia à União Indiana, e com reflexos a nível
internacional, e que Portugal não podia, de forma alguma, aceitar. A visita, no
entender de Salazar, podia significar o apoio, pela Santa Sé, da anexação de
Goa pela União Indiana.
Quando Salazar soube da intenção de Paulo VI
visitar Goa e orar no túmulo de São Francisco Xavier, sentiu uma profunda raiva
interior, misturada com um forte sentimento de indignação. Ficou, como escreveu
Franco Nogueira, “possesso de revolta”.
Através do
Cardeal Cerejeira, avisou que, se o Papa realizasse a viagem à Índia e,
sobretudo, visitasse Goa, a Concordata – assinada entre Portugal e a Santa Sé,
em 1940 – seria denunciada e a política religiosa de Portugal “radicalmente” alterada. Salazar ameaçou,
ainda, cortar relações oficiais entre o nosso País e a Santa Sé.
O Cardeal
Cerejeira, extremamente preocupado e “aterrado” com a situação, encontrou-se
por duas vezes com o Pontífice nesse ano de 1964. O último encontro seria a 13
de Outubro de 1964. E como parecia que estes encontros não surtiam o efeito
desejado, inclusivamente no último o Papa não permitiu que se aflorasse o
assunto, o Cardeal e a diplomacia nacional conseguiram contactar com diversas
personalidades com vista a demover o Papa da sua visita a Goa.
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| Par un geste, le salut indien, il conquit le coeur de la foule |
Paulo VI fez a viagem, é certo. Mas ficou-se
por Bombaim e não foi a Goa, como pretendia.
A ida a Bombaim, realizada em Dezembro de
1964, constituiu um forte ponto de fricção entre o Estado Novo de Salazar e a
Igreja Católica de Paulo VI.
Salazar, criticou
e condenou, de forma clara e inequívoca, a visita de Paulo VI. Mais: sentiu a
atitude do Papa como um insulto a Portugal e aos milhões de católicos
nacionais.
Salazar
classificou a visita de “agravo gratuito,
no duplo sentido de que é inútil e de que é injusto, praticado pelo chefe do
Catolicismo em relação a uma Nação católica”. Além de a ter considerado
como uma “injúria feita a Portugal”.
Paulo VI foi o
primeiro papa a visitar os cinco continentes, e, até ao papa João Paulo II, o
mais viajado, pelo que foi chamado o Papa Peregrino.
Fontes:
quinta-feira, 21 de abril de 2016
General Francisco Augusto Martins de Carvalho
General
Francisco Augusto Martins de Carvalho
"No dia 27 de
Setembro de 1841, nasceu em Coimbra Francisco
Augusto Martins de Carvalho, filho do íntegro jornalista
Joaquim Martins de Carvalho, intimerato autor dos Assassinos da Beira.
(…) Joaquim Martins
de Carvalho havia de ser mais tarde preso por patuleia e conduzido juntamente com Agostinho de Morais Pinto de
Almeida e outros ao Limoeiro de Lisboa, onde permaneceu de Fevereiro a Julho de
1847, sem meios para se sustentar a si próprio e muito menos para valer à
esposa e ao filho, que assim teve de deixar ao desamparo.
A Francisco
Augusto Martins de Carvalho e a sua mãe valeu o parente Venceslau Martins de
Carvalho, que os recebeu na sua casa de Atadôa, do concelho de Condeixa,
suprindo na possível medida a ausência do chefe da família, injusta e
violentamente encarcerado.
(…) Vencidos os
primeiros passos da instrução oficial, cedo e decidiu Francisco Augusto Martins
de Carvalho a abraçar a carreira das armas (…).
(…) elevado ao
posto de tenente coronel, é por decreto de 5 de Abril de 1894 enviado a
Moçambique, a inspeccionar extraordinariamente os corpos da guarnição dessa
colónia, donde regressou no ano seguinte(…); em 11 de Outubro de 1895 é
colocado fora do quadro para ir em comissão organizar e comandar as forças da
guarnição do Estado da Índia (…).
«Partindo para
essa colónia – lê-se no Álbum de Contemporâneos
Ilustres, fascículo n.º 44, relativamente à comissão exercida na Índia – e
chegado ali, não pode proceder logo à organização de que fora incumbido e que, segundo o plano de Ferreira e Almeida, era a
constituição de quatro companhias de guerra. Esse plano não foi posto em
execução, e Francisco Augusto Martins de Carvalho foi nomeado, em Novembro de
1895, comandante do batalhão de infantaria do Estado da Índia e Reitor interino
do Liceu Nacional de Nova Goa. Em 23 de Dezembro do mesmo ano foi nomeado
comandante da província de Satary e de todo o território que constitui o
concelho de Sanquelim, competindo-lhe também o cargo de administrador rural e o
desempenho de funções administrativas. No dia 28 de Fevereiro seguinte era
exonerado do honroso cargo de reitor do Liceu Nacional de Nova Goa e recebia a
nomeação de vogal do Supremo Conselho de
Justiça Militar.»
No entretanto,
desenvolvera-se contra Martins de Carvalho uma intriga que o desgostou ao ponto
de pedir a exoneração dos cargos de administrador do concelho de Sanquelim e de
comandante militar de Satary, comissão – no dizer da portaria de 25 de Maio de
1896 - « que circunstâncias extraordinárias tornaram de excepcional importância
e das quais se desempenhou com muito zelo, inteligência e dedicação».
Da distinção com
que Martins de Carvalho se desempenhou dos cargos em que por promoção ou em
missão de confiança se encontrou investido, ficou registo nos louvores que
muitas vezes lhe foram publicamente feitos, e nas medalhas com que foi
condecorado, desde a de comportamento militar até à Torre e Espada, ganha por
serviços prestados na Índia.
(…) Da propensão
para as letras – que se apresenta como a faceta dominante de um espírito
insaciável de cultura e infatigável na ilustração do seu semelhante nos falam
(…) um conjunto de publicações de carácter didáctico, de entre as quais Noções elementares de tiro (sem nome do
autor), Nova Goa, 1894.
(…) Não
satisfeito de desempenhar-se com galhardia da tarefa que tomara sobre os seus
ombros por falecimento de seu pai (18 de Outubro de 1898), da direcção de O Conimbricense (…) o General Martins de
Carvalho, continuando com fervor nos seus estudos de história geral, de
historiografia local e de bibliografia (…) foi publicando:
em 1910, «Guerra Peninsular», notas, episódios e
extractos curiosos; no mesmo ano, Algumas
horas na minha livraria; em 1914, em folhetins da Gazeta de Coimbra, as Portas
e Arcos de Coimbra (…); em 1919,
a Ermida e igreja
do Corpo de Deus em Coimbra; e em 1921, As
edições do Hissope, apontamentos bibliográficos.
Quási ao tombar
do ano de 1921, no dia 25 de Dezembro, apagou-se a chama já vacilante que
animava aqueles 77 anos laboriosamente vividos (…).
Postumamente
saíram em folhetins, na Gazeta de Coimbra,
Fontes e Chafarizes de Coimbra (…); e
ficaram em adiantado estado de preparação Batalhões
académicos da Universidade de Coimbra, Subsídios
para a história da imprensa e do jornalismo de Coimbra e a segunda edição,
em nove volumes, do Dicionário
bibliográfico militar português, trabalhos ainda inéditos.(...)"
Do Prefácio, de
José Pinto Loureiro
Bibliografia:
«Portas e Arcos de Coimbra», General F. A. Martins de Carvalho
Edição da Biblioteca Municipal, Coimbra, 1942
JFSR 2016
domingo, 17 de abril de 2016
CÓDIGO DE MANU OU LEIS DE MANU
Código de Manu
O Código de Manu
situa-se, aproximadamente, no ano 1000 A. C. Manu foi um personagem mítico,
considerado “Filho de Brahma e Pai dos Homens”.
Os hindus possuíam quatro livros sagrados, os chamados Livros
Sagrados dos Vedas: o Mahabharata, o Ramayana, os Puranas
e as Leis Escritas de Manu.
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| LEIS DE MANU* |
O Código de Manu
era o mais antigo, dividindo-se em Religião, Moral e Leis Civis. Escrito em sânscrito,
é tido como a legislação mais antiga da Índia, e estabelece o sistema de castas
na sociedade Hindu.
Historicamente, as
leis de Manu são tidas como a primeira organização geral da sociedade sob a
forte motivação religiosa e política.
Redigido entre os
séculos II a.C. e II d.C. em
forma poética e imaginosa, as regras no Código de Manu são
expostas em versos. Cada regra
consta de dois versos cuja métrica, segundo os indianos, teria sido inventada
por um santo eremita chamado Valmiki, em torno do ano 1500 a.C.
Os idealizadores
do Código de Manu julgavam que a coação e o castigo eram essenciais para
se evitar o caos produzido na sociedade, advindo da decadência moral humana. Neste
código há uma série de ideias sobre valores, tais como: Verdade, Justiça e
Respeito.
Havia nele uma
estreita correlação entre o direito e os dispositivos sacerdotais, os problemas
de culto e as conveniências de castas, debaixo do manto religioso e político,
embora privilegiassem as castas superiores, sobretudo a dos brâmanes.
![]() | |||||||
| A Penalidade na Índia** |
Aquele, que
pertencesse à classe média ou inferior, era nele duramente penalizado. À casta
dos brâmanes, que era formada pelos sacerdotes, foi dado o comando social. Os
dados processuais que versam sobre a credibilidade dos testemunhos atribuem
validade diferente à palavra dos homens, conforme às castas que pertencem.
A mulher
encontrava-se em extrema desvantagem, numa condição de completa passividade e
submissão dentro de tal Código, sendo tratada como objecto a ser manobrado e
julgado pelo homem.
FONTES:
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu
http://virusdaarte.net/india-o-codigo-de-manu/
Manou tient le premier range parmi les legislateurs, parce qu'il à exprimé dans son code le sens entier du Véda: aucun code n'est appruvé lorsqu'il contredit le sens d'une loi promulguée par Manou.
Vrihaspati (Legislador Hindú)
*LEIS DE MANÚ,Primeiro Legislador da índia
Compreendendo o Offício dos Juízes:Deveres da Classe Commerciante e servil:Leis Civis e Criminaes; vertidas em Português do original francês = Les Livres Sacrés de LÓrient = de Mr.G.Pauthier: Por José de Vasconcellos Guedes de Carvalho(1), Bacharel Formado em Direito pe Universidade de Coimbra; Cavaleiro da Ordem de Christo; Juiz Relator do Supremo Conselho de Justiça Militar; e Juiz da Relação de Goa, do Estado da índia.
Nova-Goa, 1859, na Imprensa Nacional
"Manou
tient le premier range parmi les legislateurs, parce qu'il à exprimé
dans son code le sens entier du Véda: aucun code n'est appruvé lorsqu'il
contredit le sens d'une loi promulguée par Manou."
Vrihaspati (Legislador Hindú)
(1) 1.º Visconde de Riba Tâmega, Amarante, Real, Casa do Carvalho, 03.9.1822, f. Lisboa, 07.01.1892
**A PENALIDADE NA ÍNDIA SEGUNDO O CÓDIGO DE MANU, Memória apresentada à 10.ª Sessão do Congresso Interncional dos Orientalistas por Cândido de Figueiredo,S.S.G.L.
Sociedade e Geografia de Lisboa, Imprensa Nacional. Lisboa, 1892
As obras digitalizadas pertencem à biblioteca particular do Autor. Na reprodução das imagens deverá ser referida a sua origem.
As obras digitalizadas pertencem à biblioteca particular do Autor. Na reprodução das imagens deverá ser referida a sua origem.
JFSR 2016
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